Essa coisa de internet está só começando

Além de muita indignação e tristeza, os dois recentes grandes acidentes ambientais ocorridos no Brasil, um deles em Mariana, no interior de Minas Gerais, e outro em Santos, no litoral de São Paulo, deixaram algumas perguntas importantes sem respostas.

 As tragédias não poderiam ter sido previstas? Não era possível contar com um sistema de alarme que avisasse a população da iminência de rompimento da barragem que arrasaria a cidade de Bento Rodrigues deixando desabrigados, mortos e desaparecidos? A mudança de temperatura do contêiner que ocasionou o incêndio no Porto de Santos não poderia ter sido notada a tempo para evitar a explosão e a formação da grande nuvem de fumaça que causou problemas de saúde em centenas de moradores e acabou vitimando uma senhora?

Em um mundo não muito distante em que tudo estará conectado através de redes de transmissão de dados que tornarão os objetos inteligentes, histórias lamentáveis como estas terão chances muito menores de acontecer. A partir de sensores instalados na barragem capazes de identificar movimentações no terreno, a Samarco, o governo e a sociedade estariam melhor informados sobre o aumento real dos riscos de acidente e poderiam tomar e cobrar as providências necessárias para reforçar a estrutura. Os moradores poderiam abandonar a região a partir de um alerta enviado pelo próprio sistema, sem nenhuma intervenção humana ou autorização governamental da Defesa Civil.

Um gerenciamento de riscos mais eficaz será apenas um entre os muitos benefícios do avanço da Internet of Things (IoT), uma tendência que vem merecendo atenção de corporações mundiais gigantes, não só do mundo da tecnologia, mas também de diversos setores, como na indústria automotiva, na construção civil, no agronegócio e na gestão pública, mas para a qual talvez ainda não tenhamos despertado para todo seu potencial.

De acordo com a BI Intelligence, empresa de pesquisa da Business Insider, até o final de 2020 o mundo irá passar de atuais 4,2 bilhões para 24 bilhões de equipamentos conectados, levando a Internet das Coisas a demandar uma grande variedade de padrões de redes que permitam conectar os objetos entre si e com a Internet.

O Instituto McKinsey projeta que em 10 anos a IoT irá representar uma geração de receita de US$ 11 trilhões, nada menos que 11% da economia mundial.

Para termos uma idéia de como a internet modifica profundamente nossas vidas, em 1995 havia aproximadamente 35 milhões de pessoas na rede, o que representava cerca de 0.6% da população mundial.

Em 2014, chegamos a 2,8 bilhões de pessoas conectadas, representando cerca de 40% da população mundial, segundo a consultoria KCPB. Consegue imaginar, caro leitor, a quantidade de “coisas” que irão conectar-se a estas pessoas? Considerando que ainda faltam 60% das pessoas para se conectarem, as transformações serão ainda mais disruptivas, irreversíveis e irão impactar até mesmo as regras de soberania digital dos países e a governança da rede no mundo.

Entre negócios já atuantes no Brasil, tecnologias de empresas como a Silver Spring e a Jasper são bons exemplos de sucesso com modelos orientados a serviços. O Fórum IOT tem ajudado o mercado a avançar rapidamente no País, enquanto as indústrias de telecom e de tecnologia de computação trabalham ativamente em novos padrões através da iniciativa de IoT da GSMA, recentemente anunciada.

A expectativa de um crescimento tão significativo e acelerado se justifica na medida em que passamos a considerar a IoT não como uma onda passageira, mas como uma nova revolução que irá criar uma nova forma de viver, se comunicar, consumir e realizar desde as tarefas mais básicas até as mais complexas em qualquer ambiente.

E tudo isso não somente porque teremos um relógio para medir nossos batimentos cardíacos e recomendar atividades físicas, não precisaremos mais passar horas no trânsito dirigindo um carro ou teremos que ir ao supermercado porque a própria geladeira já acusou que o estoque de leite está baixo e enviou um pedido de entrega ao fornecedor.

A evolução da IoT não se trata apenas de objetos inteligentes. “It’s all about data, folks!” O estopim da inovação virá da associação da capacidade gigantesca que as redes terão de estabelecer conexões entre máquinas (M2M) – como permitir que o carro avise que você está a caminho de casa – e a transmissão e análise de dados em tempo real enviados a partir de etiquetas de radiofrequência e sensores instalados nos equipamentos, seja em uma camiseta ou no tênis, no freezer, no ar condicionado, nas ruas da cidade, nas fábricas, na fazenda, no comércio ou na sala do escritório.

A “Internet of Everything” é que irá fazer, sim, a grande diferença entre o que hoje acreditamos ser o “state of the art” e a inovação, abrindo um leque de oportunidades para o desenvolvimento de produtos, serviços e, claro, novos negócios.

Como profissional apaixonado pelo mercado de telecomunicações, venho acompanhando de perto a gestação de novas tecnologias e empresas que somente puderam ser criadas e cresceram a partir da estruturação de redes mobile de alta velocidade que passaram a trafegar cada vez mais dados na nuvem.

Se hoje carregamos no bolso uma infinidade de apps que nos permitem desde chamar um táxi, pedir comida, ir ao banco, mudar o horário do voo, reservar um quarto de hotel ou alugar uma casa é graças ao desenvolvimento da indústria de telecomunicações, que nos próximos anos, com o avanço da computação em nuvem (cloud computing), continuará sendo o alicerce para o surgimento de empreendimentos disruptivos baseados em troca de informações e dados entre pessoas, máquinas (hardwares) e sistemas (softwares).

No aspecto tecnológico a interoperabilidade e a integração serão as chaves para IoT. A revolução será liderada por empresas que conseguirem desenvolver redes de dados que conversem entre si, conectem pessoas e objetos e, a partir da análise de informações, tomem decisões como fazer uma compra, desligar a luz, fechar uma janela, avisar que a casa foi invadida ou, no caso de uma empresa, alertar o técnico de segurança sobre a iminência de um acidente, o gerente de produção sobre um problema na máquina de embalagem ou o agricultor que a terra precisa de mais água e fertilizantes.

O que vimos até aqui como resultado da invenção de Graham Bell foi apenas um aperitivo do que ainda assistiremos com o desabrochar da Internet das Coisas. A brincadeira nem começou. E não podemos mesmo perder por esperar porque há muito a fazer. Já pensou como vai embarcar nesta revolução e empreender? Ou vai continuar achando que mobilidade, big data, geolocalização, carro autônomo, cidade inteligente e essa coisa toda é mesmo apenas uma conversa de nerds?

Desafios e Perguntas:

a.) A operadora apenas será responsável pelo tráfego de dados, mantendo seu atual modelo de negócios de cobrar por este tráfego? Qual o papel da neutralidade de rede neste cenário?

Consulta Pública no Brasil: Consulta Pública de Neutralidade de Rede

b.) Os provedores de solução de IoT estariam vinculados a regulamentação de cada país?

(*) Omarson Costa é formado em Marketing, tem MBA e especialização em Direito em Telecomunicações. Em sua carreira registra passagens em empresas de telecom, meios de pagamento e Internet. 

Via: Proxxima

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